Reflexões de fim de ano

Nesse momento tá tocando RBD no meu fone, e percebo que já se passaram 10 anos desde essa febre.

Final de ano é sempre igual. Junto dele vem as perguntas rotineiras, seja no ciclo de amigos, família ou trabalho. “E aí, agora que tá formada já tá trabalhando?”, “E os namoradinhos?”, “Quais os planos pro ano que vem?”. Juro que quando me perguntam essa última eu tenho vontade de dizer “Amanhã mesmo vou pegar uma mochila, subir as colinas e viver numa cabana junto com os duendes e unicórnios”.

Não adianta, é chegar dia 31 de dezembro de cada ano, que somos um pouco forçados a parar e refletir sobre como foi o ano que passou. Mas principalmente somos imersos na necessidade de criar planos para o ano seguinte. Deixando claro que objetivos são sim uma forma de motivar a conquista, mas para pessoas como eu, fazer planos demais pode causar decepção.

Desde muito nova eu assistia filmes românticos, que no caso abordavam sempre as mesmas coisas (meninas que esbarravam com o amor de sua vida, alguma coisa acontecia para que eles não ficassem juntos, mas no fim viviam o “felizes para sempre”). Até pouco tempo, na minha cabeça, tudo aquilo que os filmes mostravam realmente iriam acontecer comigo. Eu iria ter uma vida maravilhosa, junto de quem eu amo, com filhos, casa e um emprego dos sonhos. Eu planejava ter meus filhos com 23 anos, e hoje eu só quero saber de conhecer o mundo.

Depois que passei dos 20 anos, e principalmente depois que me formei, sinto uma cobrança tão grande da minha família e da sociedade em eu ter uma vida estável. Quando na verdade eu só tô vivendo em busca da minha felicidade, sonhando e correndo atrás das minhas coisas. Muitos chamariam isso de egoísmo, quando na verdade é um simples “batalhar por aquilo que se quer”.

Nsse ano que passou muitas coisas aconteceram (muitas mesmo), e acredito que nenhuma eu tenha planejado, seguido o roteiro. Fui desafiada a aceitar a morte da minha vó, a não dormir por conta do TCC. Fui presenteada com uma série no Youtube, podendo mostrar mais um pouco de como sou, e por conta de não ter planejado nada disso, não tive aquela sensação que me fez sentir falha em algum momento. Eu vivi cada dia de 2016.

As vezes a gente se vê forçado a seguir um caminho, quando na verdade quer sair à la loca contornando buracos na estrada. E não há nada de errado nisso. Planos enraizados muitas vezes prendem, forçam, e não conseguimos ser quem somos, aí começamos a analisar a vida maravilhosa que os outros têm (ou demonstram ter) e nós aqui, conciliando trabalho e edição de vídeos para o Youtube.

Quantas e quantas vezes marcamos jantas com amigos 1 semana antes, chega no dia e metade diz que não vai poder? Quantas pessoas já nos convidaram no dia para certo compromisso, não pensamos duas vezes e fomos? “Vamos?” “Vamos.” Vocês têm que concordar comigo que essas são as melhores ‘saídas’, e eu estou trabalhando muito esse ponto em mim.

Tão bom poder viver, tão bom as vezes não criar planos e ser surpreendida pela vida.

Os melhores momentos são aqueles em que nos permitimos viver, e começamos a perceber que é desnecessário nos amarrar sempre em planos concretos.

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